Socialização, pau de selfie e porque eu já estou de saco cheio desse blá blá blá.

Este post contém minha opinião, não uma verdade universal (portanto ninguém precisa chegar na voadora).

Desde que o tal do pau de selfie (selfie stick) surgiu, tenho visto muita, mas muiiiita crítica em relação a ele. Desde as mais sensatas e que fazem algum sentido até outras completamente estapafúrdias e o eterno mimimi contra a tecnologia na moda.

Selfie stick, ou pau de selfie, novo inimigo da sociedade. (foto do Wikipedia)

O argumento mais sem sentido contra o pau de selfie que já li é que você perde a chance de fazer novas amizades não pedindo pra alguém tirar a foto pra você. É que nem esse papo de que a tecnologia afasta as pessoas, porque agora todo mundo anda de cara grudada no celular e não socializa mais.

A vantagem de ser mais velha é de que eu me lembro bem como era o mundo antes da era dos computadores baratos, celulares e câmeras digitais.

E adivinhem? As pessoas socializavam naquela época tanto quanto hoje. Ou seja, praticamente zero.

Vejam só todas essas pessoas aproveitando a viagem de trem para socializar e fazer novas amizades.


As pessoas viviam com a cara metida em jornais e revista, fones de walkman nos ouvidos ou pensando na vida enquanto andavam para lá e para cá na cidade sem ligar para quem estava ali do lado. O mundo não era um lugar lindo onde pessoas faziam novas amizades a cada dez passos.

Mas e as câmeras? As pessoas não pediam mais para que outros tirassem fotos para você? Sim pediam, mas vamos lá para alguns fatos:

- Câmeras analógicas, das não profissionais, eram bem mais baratas que as câmeras são hoje em dia, existiam até modelos descartáveis.

- Muita gente não tinha câmera, e se tinha, comprar filmes (que vinham em 12, 24 ou 36 poses) e mandar revelar custavam caro. Câmeras eram itens dispensáveis no dia a dia, reservadas apenas para alguns momentos. Você não ia gastar um rolo de filme fotografando seu almoço, a menos que seu trabalho fosse esse.

- Uma boa parte das pessoas compravam câmeras para viajar ou para acontecimentos especiais (aniversários, formatura, etc) e tudo o que sabiam sobre tirar fotos era o "preparar, apontar, clic!". Poucos usavam tripé e poucas câmeras baratas vinham com self-timer, então tirar selfies era algo impensável.

Graças a diferença da posição do visor da câmera para a lente era comum as pessoas perderem a tampa da cabeça nas fotos. E você só percebia isso depois de revelar! (foto do Wikipedia)

- Equipamentos e câmeras mais sofisticados eram coisa de quem tinha a fotografia como hobby caro ou profissão. Gente comum, no dia a dia, tinha mais onde gastar o dinheiro do que revelando fotos desfocadas de si mesmo.

- E, já falei que as câmeras comuns eram super baratas? Pois é. Você não tinha medo de largar uma dessas nas mãos de um desconhecido e pedir para ele bater uma foto sua na frente daquele ponto turístico. Hoje em dia, quem largaria seu iphone/smartcaro/câmera digital nas mãos de um estranho?

E quando você fazia isso, pedir para outra pessoa fotografar, você parava a pessoa na rua, pedia para tirar a foto, a pessoa batia, devolvia a câmera e cada um seguia seu caminho. Ninguém parava para bater papo, não trocavam telefones e promessas de amizade eterna.

Essa mania de socializar surgiu com a internet das redes sociais.

Ou melhor, essa obrigação de socializar. Fazer amizades era importante, sempre foi, mas não era socialmente condenável se você não quisesse ter mais do que meia dúzia de amigos. E eram amigos da escola, da faculdade, do trabalho, da vizinhança, de um lugar que você costumava frequentar. Ninguém saía abordando estranhos aleatoriamente na rua para iniciar uma amizade.

Pessoas conversavam entre si, claro. Mas. Não. Saiam. Da. Conversa. Como. Amigos. De. Infância.

Era só um bate papo. Coisa rápida, enquanto estava na fila do mercado, do banco, do ônibus. E você não era obrigado a conversar, se não quisesse.

Concluindo: esse blá blá blá condenando pessoas grudadas no celular, e usando pau de selfie e o escambau que não socializam não faz muito sentido para quem viveu ou lembra do mundo na era analógica.


Pessoas que não socializam mais como antes. Ha. (foto por Taco Ekkel)

O mundo não ficou mais solitário porque inventaram o pau de selfie, ou o celular ou qualquer outra tecnologia. As pessoas sempre foram assim. A única diferença é que agora, com essa mania de se criticar tudo o que aparece, isso aparentemente ficou mais visível.

2 comentários:

  1. Ai Maria Fernanda, eu acho a mesma coisa. No fim, foi só mais uma "desculpinha" pra quem já não curtia muito socializar. Quando tô com gente legal, sequer lembro do celular. Mas se tô entediada e não tô a fim, ele sempre vai estar na minha mão. Apenas isso...

    Um beijo,
    Re

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  2. Concordo total com você!!! O pessoal acha que as tecnologias vão afastar, quando eu acho que sou muito mais socializável na inter net hahahahaha

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