Nonsense

Hoje o dia começou de um modo muito estranho. O despertador tocou exatamente no horário em que o programei. Levantei da cama e me aprontei para ir à escola. Como sempre ninguém conversou durante o café da manhã. Quando saí, o tempo estava nublado. Levei um guarda-chuva porque não queria me molhar. Caminhei tranquilamente pela calçada. Os carros estavam parados no meio da rua que pedestre algum atravessava. Nenhum pássaro cantava nas árvores estáticas apesar do vento. Desviei de um jornal que voava pela calçada. O dono dele olhava estupefato mas nem se mexeu para pegá-lo. Continuei o meu caminho, sem me preocupar com o horário porque o relógio estava andando para trás. Dentro de uma padaria, o café caía de uma xícara para dentro do bule metálico. Desviei do jornal que estava parado no meio do caminho. Observei os carros e as árvores estáticas. Um pássaro trinou timidamente quando passei. A chuva começou a cair e me molhei porque não estava com meu guarda-chuva. Quando atravessei a rua entre pedestres sem movimento, um carro buzinou. Mas ninguém conversou como era programado. E achando que aquele dia havia começado de um modo muito estranho, desliguei o despertador e me aprontei para ir a escola.

(Texto escrito por mim em 2002 - proibido copiar ou reproduzir sem minha autorização)

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