O Homem no Teto, de Jules Feiffer

O Homem no Teto, de Jules Feiffer, é de longe um dos meus livros favoritos, porque eu me identifico muito com o personagem principal Jimmy Jibbett, um garoto de dez anos e meio que adora desenhar super-heróis e sonha ser um grande cartunista quando crescer. Na minha opinião, o autor conseguiu nesse livro mostrar com muita sensibilidade, bom-humor e ótimas ilustrações, os altos e baixos da vida de um garoto que só quer fazer aquilo que mais gosta, desenhar.

A família de Jimmy é um capítulo à parte: a Mãe é beeem zen, beeem avoada, e está sempre metida no sótão (o seu Sanctum Sanctorum) fazendo seus desenhos de moda. O Pai é engenheiro, homem prático e que não vê com bons olhos as tendências artísticas do filho. A irmã mais velha, Lisi, apesar de ser a maior fã do irmão, é mandona, tem horríveis crises de raiva e está sempre pondo a casa abaixo com seus berros. A mais nova, Susu, adora o irmão, mas está sempre interrompendo seus desenhos para pedir que Jimmy brinque com ela. Tio Lester, irmão fracassado da Mãe, e que a anos vinha tentando compor, sem sucesso, um musical de sucesso para a Broadway é o único que realmente compreende Jimmy e lhe dá muita força no seu sonho de ser cartunista.


No colégio, apesar de ser um aluno mediano e atleta desastroso, Jimmy e seu grande talento para desenho acaba chamando a atenção de Charley Beemer, um príncipe (segundo Jimmy), alguém que todo garoto de 10 anos e meio gostaria de ser na vida: excelente atleta, bom aluno, popular, etc etc. Ele se vê aceito na turma "in" do colégio e nada poderia ficar melhor. Mas depois de um tempo, Charley acha que Jimmy está se repetindo e propõe a ele que desenhe suas idéias (e que Charley considera dignas de quadrinhos profissionais, pffff) e inventa uma coisa nojenta chamada Cabeça de Bala. Jimmy não se agrada tanto assim da idéia de desenhar para outra pessoa, mas se vê pressionado a isso de certa forma: se não desenhasse, era mais que provável que teria sua amizade com Charley descartada, então ele acaba topando.
Ele se obriga a desenhar pessoas estraçalhadas por Cabeça de Bala, apesar dos protestos de sua mente sensível, mas tropeça num problema muito mais grave: ele não sabe desenhar mãos. Nem eu sei direito, logo todo o drama que se segue, inclusive um incrível ataque de raiva de Jimmy é bastante familiar para mim. Jimmy começa a achar que desenhar não é mais tão divertido assim, e questiona qual o sentido de se fazer algo que goste se isso mais cedo ou mais tarde acaba virando um "emprego" igual ao do pai, que vive estressado?
Nesse meio tempo, o Tio Lester finalmente compõe uma obra que tem tudo para ser o maior sucesso, Robótica, e a partir daí a vida de Jimmy parece definitivamente virar uma montanha russa.


Quando li O Homem no Teto, eu estava passando por uma fase horrível. Tudo o que eu desenhava, para mim, era uma porcaria. Estava estressada com a faculdade e preocupada com várias outras coisas pessoais. Acabei desenvolvendo um pânico de folha em branco e desenhar passou a ser algo mais próximo de uma tortura do que de uma diversão. Tive ataques de raiva como Jimmy (mas os meus eram silenciosos, achava meio embaraçoso ter que explicar para a minha família que estava rasgando e amassando papéis feito uma doida por que não conseguia fazer mãos decentes ou os olhos teimavam em sair desalinhados ou a personagem estava sorrindo e não com uma dor de barriga - embora tivesse feito isso várias vezes, já que minha mãe era 'inenganável' e reconhecia minha cara de ataque de raiva a quilômetros). Assim como Jimmy já fiquei muito tempo encarando folhas de papel em branco enquanto as folhas me encaravam de volta ("Desenhe em mim e vai se arrepender" a folha de papel de Jimmy - e as minhas - diziam, embora papéis não falassem) Questionei a graça de continuar desenhando se não podia desenhar o que gostava (bem isso eu ainda questiono de certa forma XD) e fiquei muito tempo me achando o ser mais infeliz da face da Terra. Obviamente, O Homem no Teto não me curou de nada disso, mas o otimismo de Jimmy e seu plano no final para lálálálálálálálá* me fizeram pensar muito, mas muito mesmo, de forma que considero que O Homem no Teto tem um quota significativa na minha melhora para com o meu problema com os desenhos.
Mesmo que vocês não tenham problema nenhum com papéis, hehe, digo que vale a pena ler O Homem no Teto. Como diz Art Spiegelman sobre o livro, "O Homem no Teto é um prazer a que não estamos acostumados..."

E vocês devem estar se perguntando, quem é afinal o homem no teto? Leiam o livro e vocês saberão... ^_^

Mais informações:





Nome: O Homem no Teto
Autor: Jules Feiffer
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 8571644616
Número de Páginas: 200

Web:
Site do autor Jules Feiffer
Editora/Selo Cia. das Letras
O Homem no Teto no Skoob
O Homem no Teto no O Livreiro

*censura anti-spoiller

9 comentários:

  1. Fiquei com vontade de ler... droga, vou ter que comrpar :P

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  2. oláaaa, cheguei!

    E que lindo que é seu cantinho *-*

    Sério.
    Pode deixar que sempre que poder venho visitá-la.

    E quanto ao livro, fiquei com vontade tbém!


    Ah, no meu blog Libros di Amore tem promo...
    Bjkas

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  3. Adorei seu novo blog M.F!!!
    Nem sabia dele, até ver você postando o link no Diário :)

    Me interessei por esse livro, vou procurar saber mais sobre ele *_*

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  4. Adorei seu novo blog M.F!!!
    Nem sabia dele, até ver você postando o link no Diário :)

    Me interessei por esse livro, vou procurar saber mais sobre ele *_*

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  5. Tássia: ((( Leeeeiaaa, leeeeiiiaaa e não se arrependeráaaaaa ))) =D

    Lariane: Obrigada pela visita ^^

    Pam: Pois é, eu só abri o blog mesmo a "visitação" ontem, embora eu o tenha criado em fevereiro, após um momento de revolta com meu irmã (tipo, ele estava a meses me enrolando para escrever para o nosso blog, então resolvi fazer alguma coisa sozinha XD)

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  6. Tássia: ((( Leeeeiaaa, leeeeiiiaaa e não se arrependeráaaaaa ))) =D

    Lariane: Obrigada pela visita ^^

    Pam: Pois é, eu só abri o blog mesmo a "visitação" ontem, embora eu o tenha criado em fevereiro, após um momento de revolta com meu irmã (tipo, ele estava a meses me enrolando para escrever para o nosso blog, então resolvi fazer alguma coisa sozinha XD)

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  7. Olá Maria Fernanda,

    Nunca havia ouvido falar desse livro, mas sua resenha me deixou com vontade de lê-lo. Aliás, gostei do seu blog, não pare de escrever não, seu estilo é muito legal.

    Ah, cheguei aqui pelo Follow Friday da Pâm. :-)

    Grande abraço!

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  8. Olá Maria Fernanda,

    Nunca havia ouvido falar desse livro, mas sua resenha me deixou com vontade de lê-lo. Aliás, gostei do seu blog, não pare de escrever não, seu estilo é muito legal.

    Ah, cheguei aqui pelo Follow Friday da Pâm. :-)

    Grande abraço!

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  9. Cristine: Muito obrigada pela visita! Fico feliz que tenha gostado do blog *_*

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